MOSTRA ARTÍSTICA

A mostra INTERLOCUÇÕES buscou proposições artísticas que relacionem saberes e fazeres diversos, de modo multirreferencial e que pautassem o intercruzamento universidade-comunidade-sociedade. A curadoria foi realizada por Rosselinni Muniz e Mirian Hapuque.

A FEIRA

SABRINE (GABRIELA SABRINE BATISTA CRUZ)

Categoria: Artes visuais;

 

Interior de PE, em uma quarta de sol no meio de um sertão nordestino, na cidade Salgueirense, resolvi tirar fotos das atividades comerciais locais que ainda mantiveram seus costumes e estilos de feira a anos. Tendas coloridas espalham-se, cada farinha, carne, queijo e outros, cheiros espalham pela feira junto com o clima seco. Vozes de negociações por todos os lados e pessoas de olhares cheios e objetivos. Algo tão simples, mas foi de extrema importância registrar. Devo dizer que cada comerciante, exibia com orgulho suas vendas no momento da foto, obviamente, a força nordestina é algo a se orgulhar. São diversas histórias espalhadas por casa tenda, diversas realidades, tão próximas a mim, mas tão longes da minha própria. Como acadêmica, vejo como os discursos dentro da academia, pouco interferem, ou se interferem, em realidades distantes a nossa. No final, assim como a feira, nossa vida é como enormes tendas, cada uma com a sua própria, vivendo conforme sua realidade, vendendo o que tiver que vender.SabrineArtes visuais (escultura, pintura, ilustrações, performances, etc),

ESSA É QUENTE

ROBERTO JUNIOR

Categoria: Artes visuais;

 

“Essa é Quente” é um trabalho audiovisual realizado como avaliação final do componente curricular obrigatório de COM103 – Estética da Comunicação, do curso de Comunicação com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura, da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, ministrado pela Professora Doutora Regina Gomes. A narrativa do videoclipe consiste nas peripécias de um rapaz negro para adentrar a uma festa na cidade de Salvador, mostrando o público na noite soteropolitana, as casas noturnas, as peculiaridades e as desigualdades no bairro mais boêmio de Salvador. As imagens foram gravadas no bairro do Rio Vermelho,
intercaladas entre locações internas e externas, com planos que destacam objetos que representam as baladas típicas do gênero eletrônico, queimados junto a cédulas de dinheiro em uma montagem ritmada com as batidas da música."    

UM MUNDO PANDÊMICO E EM CRISE

BEATRIZ ABREU

Categoria: Artes visuais;

 

Contaminada pelas narrativas catastróficas ocasionadas pelo modelo social que traz, conjuntamente com a cultura capitalista ocidental a marca geológica de um colapso, em que pandemias e crises ambientais a níveis planetários apontam para um futuro que irá inexistir para a espécie humana, a artista Beatriz Abreu, desenvolve uma série de colagens a partir de fotos tiradas na cidade de Salvador pelo fotojornalista Felipe Iruatã. As fotos foram tiradas durante o período de quarentena e isolamento social provocado pela pandemia de COVID-19. A série de colagens é denominada de "Um Mundo Pandêmico e em Crise" e traz recortes de fotos do cotidiano urbano pandêmico, incluindo o registro de diversas manifestações sociais que ocorreram em 2020 na cidade,  como por exemplo, o vidas negras importam Salvador, a greve dos entregadores de aplicativos e a manifestação dos povos de santo contra a construção do elevatório na Lagoa do Abaeté.

ENTRE

EZEQUIEL VITOR TUXÁ E VINICIUS PEREIRA DE CARVALHO

Categoria: Artes visuais;

 

"Você atenderia essa ligação? "ENTRE" é a primeira parte de uma performance-ensaio-experimento denominada "ENTRE-LUGAR". Aborda a (re)construção de identidades indígenas, orientando-se por meio de território(s) intra-extra-existencial(is). Os autores são: Ezequiel Vitor Tuxá - indígena da etnia Tuxá Kiniopará; acadêmico de Psicologia (IPS-UFBA); escritor integrante do projeto de extensão LIVRO-LUGAR (edição de narrativas de comunidades tradicionais e periféricas); busca através da escrita uma forma de visibilizar suas experiências e existências.
Vinicius Pereira de Carvalho - bacharel em Saúde (IHAC-UFBA); mestrando em Estudos Interdisciplinares sobre a Universidade (IHAC-UFBA); estudante de Medicina (FMB-UFBA); tem caminhado por diferentes culturas de cuidado com o propósito de apoiar e reafirmar movimentos disruptivos e descolonizadores."    

DE ONDE EU VIM

DIREÇÃO: DIEGO ALVES | FOTOGRAFIA: DIEGO ALVES, FELIPE VIEIRA, YASMIN LIMA | SOM DIRETO: CAIO LEONEZA | PRODUÇÃO: DIEGO ALVES, GABRIELA SANTOS | EDIÇÃO: DIEGO ALVES;

Categoria: Cinema e Audiovisual;

 

O documentário De onde eu vim foi produzido como parte das atividades do componente Estudo das Culturas, ministrado pela Profª Priscila Cabral, no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia, durante o segundo semestre de 2019.
Sinopse: Dois jovens oriundos de comunidades indígena e quilombola mudam-se para Salvador após o ingresso em cursos da UFBA. Aktxawã Junior e José Wanderley narram sobre seus locais de origem, suas culturas e a chegada na metrópole baiana.    

ABSTRATO CONJURO PARA A SUA FARSA!

DIREÇÃO - IZABELA ALCANTARA | FILMAGEM - IZABELA ALCANTARA | EDIÇÃO IZABELA ALCANTARA | MONTAGEM DE SOM - IZABELA ALCANTARA

Categoria: Cinema e Audiovisual;

 

O experimento em videoarte "Abstrato conjuro para sua farsa!", é uma proposta de colocar para fora sentimentos guardados no calor dos acontecimentos, solicitando de  sentimentos vividos como suporte criativo  para os questionamentos. A ideia é jogar para arte sensações e ter a reposta em seus ecos, se colocar como experimento, para entender dentro de toda essa subjetividade o que realmente eu quero dizer. Ler as minhas próprias linhas abstratas e usar o meu corpo como materialidade para a minha subjetividade, e conjurar a minha farsa, de tudo aquilo que não digo. As Músicas utilizadas foram remixadas e remontadas a partir do álbum Persona (1975).

NEBULOSA

TAUAN CARVALHO

Categoria: Artes visuais;

 

Um dia, mais uma noite de incertezas para se guardar no quarto da memória. Corpo aberto, campo minado. Orí por perto, explosão de assalto. Como mostrar-se certeira, imersa e intensa na medida exata da exaltação? Como me enxergar como uma bomba para romper velhos costumes, rumos rubros, espelhos dos quais eu não me curvo? são vestígios do que sobrou no olho de deyse, o que restou de nós nesse mar de turbulência.

AS ÁGUAS

PAULA MILENA LIMA

Categoria: Artes visuais;

 

O trabalho consiste em um vídeo de pouco menos de 2 minutos. As imagens são a captura de parte do meu processo de pintura de um tríptico de quadros cuja as imagen unidas retratam uma mulher negra( parte do seu rosto), sendo banhado por águas em movimento. Sobreposto às imagens pode-se ouvir o áudio do poema As águas ( também de minha autoria, e igualmente inédito) e o sons do mar . O vídeo, homônimo ao quadro e ao poema surgem como um desdobramento pessoal e resultado de reflexões a partir da disciplina " Habitar o fim do Mundo e Imaginar o Infinito" da qual eu fiz parte como comissão organizadora, sendo a disciplina ofertada no SLS 2020 da UFBA.  Coordenada pela Prof. Dr. Gabriela Leandro Pereira. Tendo sido ofertada como disciplina para a pós graduação da FaUFBA e outros programas de pós graduação da UFBA e simultaneamente ofertada como curso de extensão para a graduação de toda a UFBA e comunidade externa. 
A partir dos desdobramentos das discussões nas aulas e reflexões das falas dos convidados e estudantes, fagulhas de retomada artística trepidaram em mim e a partir daí decidi retomar a prática da pintura que há muitos anos estava adormecida em minha vida após alguns traumas. O poema e o quadro, assim como o vídeo processual, aqui inscrito/ apresentado fala das águas como processo terapêutico e catártico.

Fruir uma obra é uma experiência que precisa ser o atravessamento do corpo-território de narrativas. Acessar a arte produzida por alguém é ter contato com a natureza da coisa que é o artista. É a nudez de histórias, referências que se precipitam no fazer artístico. A obra de arte é um pequeno grão de tudo que se é, se conta, se anuncia. 
Afetos movidos, contingências, escrevivências. A experiência do IHAComunidade I Teia de Saberes e Fazeres foi me debruçar sobre a doçura da memória do meu próprio caminho errante de uma mulher negra, candomblecista, bissexual, sertaneja que cresceu no recôncavo baiano. Interiorana que, em êxodo, se desloca para a capital baiana para estudar, para fazer UFBA, para ser Bacharela Interdisciplinar em Humanidades. 
Esse corpo-texto se identificou, se moveu e se nutriu das obras apresentadas. Sinto-me parte pequena em um jogo borrado de fronteiras inexistentes entre mim, as obras, es artites. A brincadeira do clássico e do contemporâneo; da complexidade simples; e de todos os paradoxos que existir nos convoca. Vi-me imbuída dos verbos intransitivos: ser e estar. Ao passo que intransitivo, deslocam-me sempre ao trânsito. Em comunidade, me sinto em TEIA e em Teia, me sinto mover. 

Rosselinni Muniz
Douranda em Educação (UFBA)

Os tabus estão aí para que sejam discutidos e violados. Sendo a transgressão não apenas uma forma de recusa, mas de abertura e de troca. Onde é possível entrelaçar saberes. E no campo das artes, unir o “popular” ao erudito. Sem negar a forma colocada, mas trabalhando e questionando a partir da mesma.
Como graduanda do bacharelado interdisciplinar em artes da UFBA, me senti muito prestigiada e agradecida por fazer parte do projeto artístico Mostra Interlocuções do IHAComunidades, como curadora e parecerista. Uma experiência que agregou muito para a minha formação.
No entanto devo confessar que o desafio foi grande, mesmo já tendo participado como jurada (júri jovem) do festival internacional Panorama Coisa de Cinema, pois se trata de avaliar trabalhos da própria casa. E também por compreender o peso social cultural, que o projeto representa para a própria comunidade acadêmica e para a sociedade de modo mais amplo.
Pois sempre compreendi as artes como possíveis janelas de trocas de percepções, onde universos se abrem e é possível alcançar saberes, onde processos de reflexões profundas e consequentemente de mudanças sociais e culturais são possíveis. E exatamente por isso que a democratização do acesso a arte e do fazer artístico sempre foi uma das bandeiras levantadas por mim dentro da própria comunidade.
Sobre as obras enviadas pelos artistas, pude perceber que em maioria, ambos compartilham do mesmo olhar sobre ARTE. Não apenas como entretenimento, mas como potencial de transformação, diálogo e compartilhamento. Espaço genuíno de provocações.
O que nos desafia por outro lado, a não esquecer do aspecto “dionisíaco”. As vezes “apolineamente” tentando fazer com que a” mensagem chegue” nos perdemos e acabamos deixando o aspecto criativo de lado. Não existe uma receita pronta ou uma definição exata do que é arte, mas a beleza está no equilíbrio das duas formas dionisíaco-apolíneo.

 

Mirian Hapuque

(BI Artes, UFBA)